Militares russos acusam EUA de terem «roubado» o contrabando de petróleo na Síria ao Daesh / Sputnik
Empresas militares privadas dos EUA organizam a extracção e venda do petróleo sírio a Leste do Eufrates, tendo-se apropriado de um contrabando que era exclusivo do Daesh, denunciou um responsável russo.
Abril
«Além do treino dos terroristas, essas empresas dedicam-se ao saque dos recursos petrolíferos a Leste do Rio Eufrates e pertencentes ao governo legítimo da Síria. Toda a actividade das empresas privadas militares norte-americanas é levada a cabo com o apoio da aviação da [chamada] coligação internacional e trata-se de um negócio de contrabando arrebatado ao Daesh [também conhecido como Estado Islâmico]», disse hoje, numa conferência de imprensa em Moscovo, o coronel-general Sergei Rudskoi, chefe da Direcção de Operações do Estado Maior-General russo, citado pela agência Sputnik.
O general precisou que o número de mercenários de empresas privadas militares instaladas na Síria ultrapassa actualmente os 3500 e revelou que o crude sírio roubado é proveniente dos campos petrolíferos de Kanako, al-Omar e al-Tanak, localizados a Leste do Rio Eufrates.
A este propósito, Rudskoi sublinhou o facto de os norte-americanos estarem a «saquear os recursos naturais da Síria», bem como o destino que é dado a uma parte dos lucros gerados com o seu contrabando: apoio a grupos armados, suborno dos xeiques e fomento da luta anti-governamental.
Entrega de armamento e treino de terroristas
O militar russo reiterou, esta segunda-feira, a acusação de que os EUA continuam a entregar armamento nas regiões sírias localizadas a Leste do Eufrates. Rudskoi afirmou que, «a troco do petróleo de contrabando, os EUA dão armas tanto às milícias curdas como às árabes, que depois as usam uns contra os outros». «Tudo isso não faz mais que deteriorar a situação nesta zona devastada pela guerra», frisou.
O responsável militar russo disse ainda que, «na zona de 55 quilómetros em redor de al-Tanf [junto à fronteira com a Jordânia e com o Iraque], os instrutores norte-americanos treinam o grupo armado Magawir a-Thawra e outros grupos armados de menor dimensão, para que integrem o chamado Exército de Tribos Árabes».
No total, os instrutores do Pentágono treinam em al-Tanf cerca de 2700 elementos. Fontes seguras confirmam que a Força Aérea dos EUA transfere esses os elementos ali treinados para zonas de controlo terrorista, a Leste do Rio Eufrates.
«Os sabotadores mais aptos são levados para zonas controladas pelas tropas governamentais, para ali criarem situações de desestabilização e dificultarem o reforço das posições do Exército sírio», acrescentou, explicando que esses grupos de sabotadores têm como missões principais «realizar acções de sabotagem, destruir instalações das infra-estruturas de petróleo e gás, e perpetrar atentados contra as forças do governo».
«Foi detectada a presença desses grupos perto das localidades de Suweida, Palmira e al-Bukamal», disse, tendo precisado que, em Junho e Julho, os grupos treinados por Washington realizaram cerca de 300 atentados, nos quais morreram 225 militares e 65 civis.
Situação nos campos de Rukban e Al-Hol
Sergei Rudskoi reiterou as acusações, formuladas em diversas ocasiões, de que os EUA são culpados pelas mortes e pelo sofrimento de civis do campo de refugiados de Rukban, localizado perto da base militar ilegal que os EUA têm em al-Tanf.
Referiu-se ainda à situação do campo de al-Hol, na província de Hasaka, «criado pelos norte-americanos e parecido com um campo de concentração». Permanecem aqui 75 mil pessoas, mulheres e crianças na sua maioria, e, «apesar dos apelos da comunidade internacional, os EUA não tentam solucionar os problemas dos residentes no campo», acusou.
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Washington leva toneladas de ouro da Síria, em acordo com o Daesh
Helicópteros dos EUA levaram cerca de 40 toneladas de ouro da província síria de Hasaka, no âmbito de um acordo com o grupo terrorista que envolveu a evacuação dos seus militantes, refere a agência SANA.
«Quando tenta convencer o mundo da sua vitória imaginária sobre o Daesh [também conhecido como Estado Islâmico], Washington está ainda a cooperar com a organização terrorista», afirma a agência SANA numa peça publicada este sábado, acrescentando que esta parte da cooperação envolve «ouro roubado».
Tendo por base fontes locais, a agência estatal síria refere que as «forças norte-americanas, presentes na Síria de forma ilegal, usaram helicópteros para transportar grandes caixas cheias de "despojos" dos terroristas do Daesh da região de al-Dashisha, no Sul da província de Hasaka».
As mesmas fontes referem que as caixas continham grandes quantidades de ouro que o grupo terrorista tinha armazenado a leste da cidade de al-Shadadi – uma informação que, sublinha a SANA, vem confirmar informações prévias que davam conta de que o Daesh tinha transportado para al-Dashisha cerca de 40 toneladas em barras de ouro roubadas na cidade iraquina de Mossul e em várias partes da Síria.
Ainda de acordo com as fontes locais, helicópteros dos EUA aterraram anteriormente em Hajjin, na província de Deir ez-Zor, e al-Dashisha, na de Hasaka, de onde levaram terroristas do Daesh que se tinham entregado às tropas norte-americanas, voando depois em direcção ao local onde se encontrava o ouro e fechando assim um «negócio» que, alegadamente, terá envolvido a evacuação de centenas de militantes do Daesh – a Prensa Latina refere-se a 440.
Colaborações frequentes
Washington ainda não comentou estas informações. Recorde-se que as tropas norte-americanas e a chamada «coligação internacional» liderada pelos EUA têm sido reiteramente acusadas de transportar militantes do Daesh, «salvado-lhes a pele» em situações de aperto e dando-lhes, inclusive «novo uso».
O Irão acusou os EUA de transportar «um grande número de terroristas do Daesh» para o Afeganistão a partir da Síria, sublinhando a desestabilização que tal poderá provocar na região da Ásia Central, lembra a Al-Masdar News.
Por seu lado, em 22 de Setembro de 2018, a agência SANA reportou a existência de uma operação, por parte da «coligação internacional», de transporte aéreo de terroristas do Daesh, que foram levados dos arredores de al-Marashida, na província de Deir ez-Zor, para parte incerta.
Um ano antes, em Setembro de 2017, diversas fontes disseram à RIA Novosti que os militares norte-americanos tinham transportado membros do Daesh da região de al-Mayadin, em Deir ez-Zor, para parte incerta, quando o cerco do Exército Árabe Sírio apertava.
Numa reportagem publicada em Novembro de 2017, a BBC revelou vários detalhes de um acordo secreto que permitiu que centenas de combatentes do Daesh e as suas famílias saíssem da cidade Raqqa, em meados de Outubro desse ano, acompanhados e protegidos pela coligação liderada pelos EUA, pouco antes de as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS) terem decretado a libertação da cidade.

