‘Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou’, diz Bolsonaro sobre indicação de Eduardo à embaixada


Filho e pai - Eduardo e Jair Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em resposta às críticas de leitores, presidente disse ainda durante live nas redes sociais: "Pretendo beneficiar um filho meu, sim"

Jornal GGN – Durante a transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta quinta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a indicação do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), à embaixada brasileira nos Estados Unidos.

“Lógico que é filho meu. Pretendo beneficiar um filho meu, sim. Pretendo, está certo. Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou. Mas não tem nada a ver com filé mignon essa história aí. É aprofundar um relacionamento com um país que é a maior potência econômica e militar do mundo”.

Bolsonaro comentou ainda que seu filho é preparado para o cargo, reafirmando, em tom irônico, que já fritou hambúrguer nos Estados Unidos. “Eu vou defender meu filho. Ah, o cara é fritador de hambúrguer. Além de fritar hambúrguer, ele entregou pizza também, pode colocar aí na matéria”.

Ele também respondeu aos eleitores que criticaram a indicação: “Pretendo encaminhá-lo, sim. Quem diz que não vai votar mais em mim, paciência”, ressaltou. “Em algumas coisas vou desagradar a vocês”, acrescentou.

Plano dois
Antes dessa transmissão, o presidente comentou sobre a indicação de Eduardo à imprensa, durante cerimônia no Palácio do Planalto, que marcou ontem os 200 dias de seu governo. Segundo ele, caso o filho não seja aprovado no Senado para ocupar a embaixada dos Estados Unidos, irá indicar o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para o cargo e entregar para Eduardo o ministério.

Como presidente, Bolsonaro pode indicar os nomes que assumem as embaixadas brasileiras em outros países, mas a aprovação depende do Senado. Primeiro a votação é feita de forma secreta, e com maioria simples, na Comissão de Relações Exteriores, formada por 19 parlamentares. Independentemente da aprovação ou rejeição na CRE, o Plenário do Senado precisa referendar o resultado, também em voto secreto com maioria simples.

Além de ser aprovado no Senado, a indicação de Eduardo precisa ser submetida à aprovação do governo dos Estados Unidos. Quanto a isso, o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, afirmou na última terça (16) que o Itamaraty já produziu uma minuta que será enviado à análise daquele país.

Como ser um diplomata no Brasil
O diplomata representa o Brasil em outras nações e tem participação fundamental na negociação de acordos em nome do país, além de dar apoio aos brasileiros em viagem ou que vivem fora do território nacional. O funcionário público que assume esse cargo também deve obter informações importantes sobre a política externa.

Entre os assuntos que o diplomata precisa lidar estão: direitos humanos, meio ambiente, educação, energia, paz e segurança, temas financeiros, promoção comercial, cooperação para o desenvolvimento e promoção da cultura brasileira.

Tradicionalmente, para se tornar um diplomata do governo brasileiro, a pessoa precisa ter algum curso de nível superior (em qualquer área) e ser aprovado no Concurso de Admissão do Instituto Rio Branco (IRBr), órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores. O concurso tem quatro fases – na primeira, o aspirante precisa provar conhecimento nas línguas portuguesa e inglesa; na quarta fase são aplicadas provas de francês e espanhol.

Depois de passar no concurso, o aluno inicia um curso de dois anos de duração, com aulas em período integral. Só após essa fase, pode fazer outros cursos para evoluir na carreira de diplomata.