Líbia: Tropas do general Hafter seguem ofensiva em Trípoli


Ex-aliado de Kadafi, Khalifa Hafter não reconhece legitimidade do governo em Trípoli e reivindica comando do país; governo da Itália tenta controlar o país

Tropas leais ao general Khalifa Hafter iniciaram na semana passada uma ofensiva militar contra a cidade de Trípoli, na Líbia, onde está localizado o "governo provisório" chamado de Acordo Nacional comandado pelo primeiro-ministro Fayez al Sarraj – um fantoche da Itália.

"Aqui estamos nós, Trípoli. Heróis, a hora soou, chegou o momento. Nosso encontro é com a conquista", diz uma mensagem em áudio de Haftar, que comanda o Exército Nacional Líbio (ENL), baseado em Tobruk, no leste do país, que não reconhece a legitimidade do governo em Trípoli e reivindica o comando do país.

O ato ocorreu a menos de 10 dias de mais uma conferência internacional para tentar reunificar a Líbia. O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que está em Trípoli, fez um apelo por "calma e moderação" e salientou que seria "impossível" realizar a conferência sob essas condições.

Por sua vez, a União Europeia declarou que "a escalada militar em andamento na Líbia e o agravamento da retórica [...] arriscam levar a confrontos incontroláveis". Tanto as Nações Unidas quanto a UE reconhecem o Governo do Acordo Nacional, em Trípoli, embora o Exército Nacional Líbio controle quase a totalidade do país, tendo em suas fileiras oficiais e soldados da Líbia kadafista.

Guerra civil

Na semana passada o Exército Nacional Líbio derrubou um avião de combate e capturou o piloto, um mercenário português a serviço do Acordo Nacional.

A Líbia se fragmentou politicamente após o martírio de Muamar Kadafi, em 2011, e desde então é palco de conflitos entre milícias. Haftar é um dos principais personagens desse período e controla a maior parte do território líbio, baseando seu governo na cidade de Tobruk.


Ex-aliado de Kadafi, ele ajudou o coronel a derrubar o rei Idris, em 1969, mas rompeu com Kadafi em 1987, após ter sido capturado no Chade.

O conflito líbio também virou palco de uma disputa por influência entre Itália e França: enquanto Roma é aliada de Sarraj e tem um programa para treinar a Guarda Costeira do país africano para resgates de migrantes no Mediterrâneo, Paris busca legitimar o papel de Haftar na Líbia porque reconhece que ele é o único líder líbio capaz de combater os grupos terroristas que foram transportados à Líbia pela OTAN durante a derrota na Síria.

O que está em jogo na Líbia, segundo analistas, é manter o país em conflitos para favorecer as potências que derrubaram o governo da Jamahiriya, ou reconhecer o governo de Khalifa Hafter que unificará o país e trará de volta o progresso e prosperidade que fizeram da Líbia no passado conhecida como “a jóia da África”.

Movimento Democracia Direta - PR